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Galiza ou Galicia?

Enviado: sábado, 26 dez 2009, 04:55
por yagui
A Galicia institucional vira as costas à Galiza cívica
A sociedade implicada no progresso cultural da naçom só se reconhece na forma Galiza
E. Maragoto (*) / Em Julho de 2007, num movimento difícil de compreender, a conselheira da Cultura, Ánxela Bugallo, solicitava da RAG um ditame em que se resolvesse qual era o nome do País que deviam empregar as instituiçons autonómicas, após umha polémica com as conselharias socialistas no seio do Conselho de Publicaçons da Junta. Nem o Bloco tinha até esse momento prestado demasiada atençom à RAG, nem esta sociedade académica tinha potestade para decidir em relaçom a um assunto jurídico.
[+...]
Por isso, no ámbito do nacionalismo, poucos entendêrom a razom de umha consulta à qual já se sabia a resposta que podia dar o organismo mais conservador do panorama cultural galego. Com o ditame da RAG, favorável a ‘Galicia’, o BNG de Sam Caetano poderá afastar-se ainda mais das dinámicas da sua base social, se, como admitiu Bugallo, as conselharias nacionalistas acatarem a resoluçom.
Na época moderna, o nome galego do país (Galiza) só ressurgiu com força na época das Irmandades da Fala. Foi essa a altura em que se produziu o esforço restaurador de vocábulos galegos mais forte da nossa história. Como ‘Galiza’, a Geraçom Nós também levou mui a sério a recuperaçom de outras palavras que tinham desaparecido das falas galegas nos últimos séculos: galego, Deus... O autor mais importante dessa geraçom, Castelao, foi um dos mais firmes na defesa da restauraçom do topónimo, que levou à prática sem hesitaçom: escrevia Galiza em galego (Sempre em Galiza, As Cruzes de Pedra na Galiza) e Galicia em espanhol (Atila en Galicia).
Nas últimas décadas do século XIX, polo contrário, a tendência dos escritores galegos tinha sido outra, e termos hoje considerados espanholismos gozavam de maior aceitaçom. Para além da palavra Galiza, o normal na altura era usar-se também a palavra gallego: Cantares Gallegos (Rosália de Castro), A Gaita Gallega (Joám Manuel Pintos).
No pós-franquismo a polémica voltou mais forte que nunca. Em geral, as posiçons reintegracionistas mostravam-se firmes a favor da restauraçom dessas palavras. O isolacionismo era mais indulgente com os castelhanismos, mas acabou admitindo formas como galego, animais e Deus. A forma Galiza nom correu a mesma sorte, umha vez que fazia parte do amplíssimo grupo de palavras patrimoniais acabadas em -ço/-zo, -ça/-za, -çom/-zom, castelhanizadas nos últimos séculos (-cio/-cia, -cion), principalmente por pertencerem aos registos mais cultos da língua. Só alguns vocábulos que nom interrompêrom o uso popular ao longo dos Séculos Obscuros (cobiça, paço, doaçom...) conservavam na fala a terminaçom galega.
Galiza, mais do que um topónimo
O nacionalismo, influído polo reintegracionismo nos últimos anos 70 e primeiros 80, foi inclinando-se para o uso da forma Galiza, apesar da resistência de alguns sectores populistas, que defendiam a proximidade da língua culta do galego coloquial. No entanto, o populismo logo deixou de ser a razom dessa resistência, e a visom do galego (como língua independente ou nom do português) passou a estar no centro do debate.
Hoje em dia, no conjunto do nacionalismo, só um sector mui minoritário, liderado por Méndez Ferrín, que nega sem matizes a identidade do galego e do português, se mantém firme na defesa da forma Galicia. Porém, Galiza rapidamente deixou de ser a marca do nacionalismo político para passar a ser património da sociedade que se expressa em galego a tempo completo.
Na Internet, o google dá-nos umha ideia da importáncia que a forma Galiza atingiu no uso social. Delimitando a pesquisa às páginas do Estado espanhol, os dados som esclarecedores, e a forma tradicional, apesar de extraoficial, tanto em galego como, logicamente, em espanhol, e de ser usada apenas na própria Galiza, alcança, em relaçom a Galicia, um de cada dez registos.
O tipo de páginas que usam a forma histórica ainda multiplica a importáncia deste dado. Entre as dez primeiras que usam Galiza encontramos o BNG e as suas juventudes, um sindicato estudantil, a mais importante organizaçom ambientalista da Galiza, diversas páginas independentes de conteúdo artístico e um meio de comunicaçom digital independente (o mais importante dos escritos em galego: Vieiros).
Polo contrário, entre as dez primeiras que usam o termo Galicia, exceptuando La Voz de Galicia, todas estám ligadas directamente à Junta ou som de conteúdo turístico, mais ou menos oficiais.
Por Galiza
Nos últimos anos, a reivindicaçom do nome histórico ganhou importáncia graças a algumhas campanhas cívicas. Em 2001, um numeroso grupo de figuras muito representativas da cultura galega assinavam um manifesto a favor do topónimo nom castelhanizado, chamado ‘Proposta Galiza’, e no ano passado o colectivo compostelano A Gentalha do Pichel apresentava umha moçom na Cámara Municipal para substituir o nome oficial da ‘Praza de Galicia’.
Porém, houvo antes umha iniciativa em apoio da forma Galiza muito mais sucedida e que se prolonga até a actualidade. Trata-se do autocolante GZ que levam incontáveis veículos em todo o País, lançado polo jornal Gralha em Dezembro de 1996. Naquele número explicava-se como era necessário substituir o autocolante anterior, em que figurava apenas um G, normalmente cruzado com umha faixa azul, que o jornal definia como ‘folclorizante’, já que muitos estados estavam a usar um autocolante oval com características definidas em diferentes convençons internacionais a que devíamos acomodar-nos: fundo branco, várias letras no caso dos países começados por G, etc.
A iniciativa logo ultrapassou o público leitor do Gralha para ser reproduzida por mais colectivos galeguistas. Em pouco tempo, a proposta converteu-se num dos mais sucedidos movimentos de afirmaçom galega das últimas décadas.
Também as empresas
A reivindicaçom da forma Galiza alcançou tal importáncia que mesmo assentou no sector empresarial. Segundo dados disponibilizados polo Registo Mercantil, o número de empresas que incluem no seu nome a forma Galiza ultrapassa as oitenta, abrangendo ramos mui diversos da actividade comercial.

Galiza ou Galicia?

Enviado: sábado, 26 dez 2009, 22:18
por rubi
Pois a min gústame Galiza
Rubí
Buenos Aires-Argentina

Galiza ou Galicia?

Enviado: segunda, 28 dez 2009, 17:12
por yagui
Fas bem. Galiza é em galego, Galicia é em castelhano. Que a RAG recolha \"Galicia\" como galego, é o de menos. Antes supostamente \"galego\" en galego dicia-se \"gallego\", por ejemplo.
Por certo, esta web deberia-se chamar \"Fillos de Galiza\" e nom com a forma castelhanizada.

Galiza ou Galicia?

Enviado: segunda, 28 dez 2009, 19:17
por josrodrguezfontelo
Ola a todos. Levo pouco tempo en Fillos, e asta ahora estiben estudiando a paxina e, pouco a pouco intentarei participar mais.
Eu son galego e falo o galego a diario, e escribo a miudo, pero teño que decir que custoume ler o que escribiches.
Con isto quero decir que o galego que ti escribes non e o que se fala en galicia. Non ahi dúvida ningunha que dominas o tema, e que o tes moi preparado, pero seamos serios, ese non e o galego que falan todos os galeg@s.
Dame a impresion que tanto queremos distinguirnos do castelán que parecemos portugueses, con todos os respetos po portugues, pero e outra lingua.
Nos guste ou non temos que acatar o que di a Academia Galega.

Galiza ou Galicia?

Enviado: terça, 29 dez 2009, 03:50
por yagui
Jose: benvido a Fillos.
Vouche escribir en normativo a ver se me entendes.
Vouche responder punto por punto todo o que dixeches.
Dis:
Eu son galego e falo o galego a diario, e escribo a miudo, pero teño que decir que custoume ler o que escribiches.
Digo:
É normal que che custe. O galego normativo (o que escribes ti) está baseado na normativa do castelán e iso é indiscutíbel. Entón a grafía galego-portuguesa parece estraña á vista como que non tivese nada que ver co galego.
Dis:
Con isto quero decir que o galego que ti escribes non e o que se fala en galicia. Non ahi dúvida ningunha que dominas o tema, e que o tes moi preparado, pero seamos serios, ese non e o galego que falan todos os galeg@s.
Digo: Unha cousa é como se fala. OUTRA, como se escribe. É dicir. Propóñoche un exercicio. Escoita falar a un galego que escribe normativo e a outro que escribe en reintegrado (coma min). As diferenzas na pronuncia non existen. Falan igual. O tema é como se traslada AO ESCRITO o que se fala.
Pero coido que queres dicir outra cousa tamén. Que cando eu escribo \"assim\", os galegos non dicimos \"asím\" senón \"así\", non si?
Bo, pois iso...non ten moito que ver cunha normativa. Vou poñerche un exemplo:
En Castelán escríbese: \"te has cuidado?\" pero a xente di: \"taj cuidáu?\". \"Me han matado\" pero din: \"mammatao\".
Sería unha tolada pretender que a xente escriba \"taj cuidáu?\" escribindo en castelán...
Non falemos das miles de variantes que ten o castelán ao longo de Latinoamérica. As pronuncias son TOTALMENTE diferentes e...SEGUE SENDO O MESMO IDIOMA! E...POLO TANTO...debe escribirse igual. Ademáis, a grafía reintegracionista non é inventada. Vén da historia mesma do idioma, de todos os escritos que quedan e que amosan como se escribia verdadeiramente o galego antes da imposición lingüistica que pouco a pouco fixo o castelán.
Dis:
Nos guste ou non temos que acatar o que di a Academia Galega.
Digo:
A academia galega creouse despois de séculos e séculos escuros nos que o galego perdera a súa condición de lingua escrita. E claro, o modelo de lingua escrita cal era? Si, o castelán. Ademáis, a RAG cambiou moitas veces xa a súa normativa achegándose cada vez máis ao portugués. E as palabras que fai 10 anos eran correctísimas, agora resulta que son \"castelanismos\". Sospeitoso...
Dis:
Dame a impresion que tanto queremos distinguirnos do castelán que parecemos portugueses, con todos os respetos po portugues, pero e outra lingua.
Digo:
Temos que atopar a verdadeira orixe do galego. Non a imposta. E a orixe do galego, gústenos ou non, é compartida co outro dialecto do galego-portugués: o portugués. É dicir, dous dialectos da mesma lingua.
Saúdos ;)

Galiza ou Galicia?

Enviado: terça, 29 dez 2009, 19:49
por josrodrguezfontelo

Galiza ou Galicia?

Enviado: terça, 29 dez 2009, 20:29
por yagui

Galiza ou Galicia?

Enviado: quarta, 30 dez 2009, 00:12
por cachafeiro
Teño que dicirche, amigo Yagui, que eu tamén tiña eses prexuízos sobre os reintegracionistas, pero é que a esta altura da miña vida, vou para os 48, e habendo sempre lido a Curros, Rosalía, Catelao, etc. me contastaba entender porque mudar o idioma escrito tan redicalmente.
Leo moi ben o portuguez, por iso nunca me constou entendelo, pero me chocaba lelo como galego, as similitudes son moitas, e iso dábame a traizón á miña lingua nai.
Son filla e neta de galegos, vivo en Arxentina, iso fai que nunca tiven contacto con outro tipo que non fose o normativo, como ti chámaslle, eu prefiro chamarlle galego, jajajaj
Respéctoche e admíroche moito, porque sendo tan novo e non sendo nativo, tes un potencial galego da hostia.
Saúde, memoria e liberdade!!!
Alexandra Cachafeiro Camiña

Galiza ou Galicia?

Enviado: quarta, 30 dez 2009, 01:24
por yagui
E eu prefiro chamar-lhe galego ao galego reintegrado. jeje
Agradeço-che polas túas verbas, fum eu quem che quitou os prejuízos? Hai que abrir-se um pouquinho máis. Nom é traiçom nenguma, é aceitarmos a natureza do nosso idioma. É aceitar que por serem os pais da literatura galega, nom som \"Deuses\" que tinham tudo claro. De feito, escrevirom como puiderom. E tiverom grandes limitaçons na língua, limitaçons que graças ao avance das investigaçons e à consciência de moitos, nós nom temos.
Traiçom à língua nai, para mim, é escrever o galego coa escrita da língua que sempre o submeteu.

Galiza ou Galicia?

Enviado: quarta, 30 dez 2009, 02:50
por rubi
Logo de ler os comentarios anteriores, debemos aceptar que o mellor que podemos facer é tratar de integrar ás distintas formas de escribir o galego, porque sempre é mellor sumar e non restar.
É verdade o que di yagui sobre as distintas palabras, expresións e ata a gramática diferente que usamos en cada un dos nosos países latinoamericanos, e non por iso deixa de ser o mesmo idioma castelán.
Pasa o mesmo co galego e, aínda que a algúns nos custe entender o galego reintegrado, ou quizais debo dicir, que non nos guste demasiado por non estar afeitos lelo, debemos aceptar que tamén é galego.
E notarás que escribo agora en galego para non facelo no idioma que o someteu, aínda que ese idioma é o meu....
Nobreza obriga: touché amigo yagui !!!
Rubí
Buenos Aires-Argentina