Vim nas ondas do mar
os cadaleitos da fame…

escura flor

nascida na sombra nocturna
do cipreste.

Nada,
só o outro
é eterno.

Nom quero lume de espadas
no mar mareiro
nem sonhos bandeiras
prenhados de terro.

Ficarei longe dos estadulhos
dourados dos deuses,
ali, onde as cantigas
traem ventura.

Fiquei
sozinho à beiramar

das lembranças

…Além
dos teixos
e das palavras baleiras.

Tenso o arco…

ao pé da fonte

dos pássaros tristes.

 

Fonte: BVG